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segunda-feira, 3 de maio de 2010

PÓVOA DE VARZIM

I Centenário da morte de Rocha Peixoto – homenagens merecidas e cumpridas
Da esquerda para a direita: Fernando Rocha, Conceição Nogueira, Macedo Vieira, Laura (familiar de Rocha Peixoto) e João Marques
Infopóvoa / Póvoa de Varzim
As comemorações do centenário da morte de Rocha Peixoto chegaram, ontem, 2 de Maio, ao fim. A inauguração da estátua de Rocha Peixoto, a apresentação do Tomo de Actas do Colóquio "Rocha Peixoto no Centenário da sua morte" e dos volumes 43 e 44 de Póvoa de Varzim Boletim Cultural foram os eventos que encerraram o ciclo comemorativo.Depois de inaugurada a estátua da autoria do escultor Hélder de Carvalho, situada no jardim junto à Biblioteca Municipal, o átrio da Biblioteca acolheu centenas de pessoas que participaram neste momento cultural inteiramente dedicado a Rocha Peixoto. A sessão contou com a presença de Macedo Vieira, Presidente da Câmara Municipal, João Francisco Marques, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações, Fernando Rocha, Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Matosinhos e Conceição Nogueira, Directora de Póvoa de Varzim Boletim Cultural.A propósito dos eventos comemorativos que marcaram os 100 anos da morte de Rocha Peixoto, Macedo Vieira lembrou que, apesar do momento difícil que o país atravessa e a autarquia também, esta não deixou de se empenhar na efectivação dos acontecimentos em homenagem ao ilustre poveiro. O autarca salientou ainda o orgulho sentido pela presença de familiares de Rocha Peixoto nas iniciativas promovidas. Em relação à estátua, o edil revelou que, inicialmente, foi interessante pensar em quem a iria fazer, depois de seleccionado o autor “todos nós participamos na sua construção” e por fim, considera que a escolha do escultor foi acertada.Também Fernando Rocha reconheceu o trabalho de Hélder de Carvalho dando-lhe publicamente os parabéns pela peça, acrescentando “olhando para a escultura percebe-se que é Rocha Peixoto”. O autarca disse ainda que “é bom que saibamos honrar o nosso passado e a Câmara da Póvoa esteve muito bem na homenagem prestada a Rocha Peixoto” e concluiu reconhecendo que “foi para a Câmara de Matosinhos e para mim um prazer muito grande associar-se ao conjunto de iniciativas levadas a cabo pela Comissão Organizadora das Comemorações, nomeadamente o descerramento da Placa Comemorativa do 1º Centenário da morte de Rocha Peixoto na casa onde viveu, em Matosinhos”.
Estátua de Rocha Peixoto, junto à Biblioteca Municipal


João Francisco Marques também foi unânime em reconhecer o trabalho do escultor que “conseguiu retratar Rocha Peixoto como uma imagem da sua presença tal como vemos nos restos fotográficos”, “espelha o homem que foi naquilo que é mais significativo, colocando na posteridade aquilo que é mais singular na sua vida, o caderninho de notas”. Estão aqui vivos em seu realismo, o investigador, o cientista, o etnógrafo e o antropólogo, sendo que “o Homem foi insistentemente estudado por Rocha Peixoto”, acrescentou. Sobre a localização da escultura, o Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações referiu que está implantada junto a uma instituição que tem o nome de Rocha Peixoto porque parte significativa da sua biblioteca particular está lá, situando-se ainda perto da Escola Secundária Rocha Peixoto, que tem Rocha Peixoto como patrono, reconhecendo o seu exemplo de trabalho e probidade intelectual. João Marques lembrou, uma vez mais, que Rocha Peixoto deixou uma obra pioneira no seu tempo que ainda hoje tem referências basilares. O Professor fez questão de destacar o interesse vivo pela cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim que, apesar das dificuldades abraçou, desde o início, a ideia de erigir uma estátua e participar empenhadamente nas comemorações. “Estou inteiramente grato porque os projectos não avançam se não houver um suporte e aqui houve todo o apoio do Presidente e Vereador da Cultura, exemplos de cultura viva da gente da terra”, acrescentou.



Sobre o Tomo de Actas do Colóquio “Rocha Peixoto no Centenário da sua morte” realizado a 8 e 9 de Maio de 2009, que reuniu mais de duas dezenas de especialistas abrangendo as várias áreas a que se dedicou o ilustre poveiro (arqueologia, antropologia e etnografia, arte e museus, ciências naturais e bibliotecas e património), João Marques disse que “não queria que este colóquio ficasse sem actas porque um congresso morre se dele não fica um registo” e daí “toda a minha preocupação para que se tornassem possíveis”.Na sessão que encerra as Comemoração do 1º Centenário da morte de Rocha Peixoto, o Presidente da Comissão afirmou “cumprimos esta missão a que nos entregamos”, concluindo “só morrem os planos de quem não os agarra, de quem não gasta forças para dizer é isto que queríamos e aqui está”.Sobre volumes 43 e 44 de Póvoa de Varzim Boletim Cultural, inteiramente dedicados a Rocha Peixoto, Maria da Conceição Nogueira, directora da publicação, mostrou-se satisfeita com o empenho que culminou na edição dos dois boletins culturais. “A colaboração recebida provou que a figura de Rocha Peixoto continua a motivar os nossos cientistas e historiadores de tal modo que gostosamente tivemos de distribuir os artigos enviados em dois volumes – o n.º 43, relativo ao ano de 2009 e o n.º 44, relativo ao ano de 2010. Eis, assim, estes dois volumes temáticos, exclusivamente dedicados a Rocha Peixoto”. De facto, o volume de artigos levou ao “atraso” no lançamento do nº. 43. “Cremos, porém, que esse atraso é largamente compensado pelo seu conteúdo, da autoria de especialistas das principais áreas da obra e da vida de Rocha Peixoto”.Sobre os dois volumes apresentados, explicou que o objectivo editorial proposto, o estudo de “aspectos não explorados”, foi satisfeito. “Encontrarão nas páginas destes dois tomos abordagens inovadoras, fruto da ‘revisitação’ dos trabalhos do nosso homenageado, dando azo a uma interpretação pessoal e à verificação da actualidade do seu pensamento”. Um trabalho possível, reconheceu, devido à oportunidade, dada pela primeira vez, de os colaboradores acederam ao espólio de Rocha Peixoto, existente na Biblioteca Municipal.“Por último, encontrarão uma secção intitulada Vária, destinada, como sabem, ao registo de eventos, ocorridos durante o ano, dignos de memória local – no nosso caso, todos eles referentes à Homenagem ao nosso ilustre cientista e historiador poveiro”.E servindo-se da advertência de Rocha Peixoto, «Portugal chega para todos», que Flávio Gonçalves escolheu para epígrafe do número comemorativo do I Centenário do Nascimento de Rocha Peixoto, Maria da Conceição Nogueira incentivou à descoberta de “novos saberes” sobre Rocha Peixoto, mais a mais quando a Biblioteca Municipal dispõe do seu espólio, “assim como de outros estudiosos, de cuja consulta muito poderão lucrar os investigadores para a feitura de novos trabalhos”.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

PÓVOA DE VARZIM

Rocha Peixoto é inspiração para uma conferência e uma mostra documental


Infopóvoa / Póvoa de Varzim
Rocha Peixoto continua a inspirar actividades que assinalam o 1º centenário da sua morte. Na sexta-feira, 9 de Abril, às 21h30, na Biblioteca Municipal, o etnógrafo será novamente recordado. Luís Sousa Martins, autor da obra Mares Poveiros. Histórias, ideias e estratégias de pescadores da Póvoa de Varzim, n.º 17 da colecção Biblioteca Poveira - Na Linha do Horizonte, editada pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, é o convidado do Pelouro da Cultura para a conferência “Olhar e Documentar: projectos e percursos de um etnógrafo no terreno (Rocha Peixoto)”. O autor abordará, essencialmente, duas questões sobre a obra de Rocha Peixoto: o desejo de ruptura com paradigmas científicos, académicos e culturais dominantes em Portugal, que podemos associar ao papel ético e político que assumia quando, investigando no local e na região, exprimia e defendia estratégias económicas e sociais que enriquecessem Portugal; e o respeito pela matriz científica do naturalismo europeu, o distanciamento, no espaço e no tempo, entre a pesquisa de terreno e a análise de gabinete.
No mesmo dia será inaugurada uma exposição documental sobre o etnógrafo. A mostra é constituída por 24 painéis onde se apresentam as principais facetas de Rocha Peixoto ao longo do seu percurso profissional: as suas origens e a relação com a Póvoa de Varzim, o seu trabalho como naturalista da Academia Politécnica do Porto, como bibliotecário e conservador da Biblioteca Pública e Museu Municipal do Porto e como redactor da revista Portugália, o grande projecto cientifico que afirmou Rocha Peixoto como investigador e eminente etnógrafo. O trabalho de campo realizado por Rocha Peixoto ao longo das suas excursões cientificas, estará representado através de fotografias tirados pelo próprio, apontamentos e desenhos recolhidos nos seus cadernos e que constituem um dos núcleos mais importantes do seu espólio. Serão ainda apresentados documentos do espólio de Rocha Peixoto e documentos incorporados ao longo do ano de 2009, fruto de doações de particulares à Biblioteca Municipal. A exposição apresentará, ainda, um núcleo com documentos e imagens representativas das Comemorações do 1º centenário de nascimento de Rocha Peixoto, realizadas em 1966, e organizadas pelo Dr. Flávio Gonçalves.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

“Na Maré da República” – o 31 de Janeiro na Póvoa, em mostra na Biblioteca Municipal


Rua Dr. António da Silveira – casa do Sr. Manuel José da Silva, onde esteve hospedado Dr. Alves da Veiga, de 17 a 19 de Fevereiro de 1891.

Infopóvoa / Póvoa de Varzim
Até 27 de Fevereiro a Biblioteca Municipal exibe a mostra documental “O Movimento do 31 de Janeiro de 1891 na Póvoa de Varzim”.
Esta mostra insere-se na programação “Na Maré da República”, que assinala na Póvoa de Varzim, ao longo de todo o ano, o 1º Centenário da Implantação da República. Artigos de jornais e de revistas, fotografias e bibliografia compõem esta exposição que traz à luz, por exemplo, o papel que Rocha Peixoto teve na revolta ou o envolvimento de várias figuras poveiras na fuga de Alves da Veiga, importante membro do Partido Republicano, para Espanha.
Manuel Lopes, que foi director da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto até 2006, ano do seu falecimento, escreveu no jornal “O Comércio da Póvoa de Varzim”, a 26 de Janeiro de 1894, sobre a Memória Poveira de 31 de Janeiro de 1891. Contou ele que “na agonia da revolta de 31 de Janeiro de 1891, perante a desorientação que os disparos da Guarda Nacional causaram aos manifestantes civis e militares que subiam em procissão cívica a Rua de Santo António, ainda se tentou um último esforço de aglutinação popular. «Apelando – escreveu Bazílio Teles – para as massas operárias da cidade. Para isso lançar-se-ia um manifesto aos habitantes, e ir-se-ia conferenciar com os populares de influência». E coube a Rocha Peixoto o honroso mandato de o redigir. […]
Por outro lado, um dos membros mais importantes do Partido Republicano, o Dr. Alves da Veiga, deixou o país em direcção ao exílio, embarcado numa catraia poveira timonada por um velho e experimentado arrais, conhecido por Tio Dibó. Peripécia movimentada e aventurosa, conta-a o médico poveiro João Pedro de Sousa Campos, a quem Alves da Veiga «pediu para lhe arranjar um barco que o transportasse a Espanha, visto não poder conservar-se por mais tempo no Porto nem sair do país por via terrestre, vista a insistência com que era procurado» [...]
As lições do 31 de Janeiro de 1891, não as dá o saudosismo comemorativo, mas a reflexão lúcida de uma época dominada por sintomas da crise política e social, geradores de imagens e problemas que nos pretendem fazer crer nas repetições da história, mesmo quando sabemos que nenhuma névoa ou miragem pode esconder o seu vigoroso sentido dialéctico, pois, como diz o poeta: tudo é composto de mudança.”

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tradições poveiras – as siglas em destaque no mês de Janeiro

Infopóvoa / Póvoa de Varzim
“Siglas Poveiras – um alfabeto ou apenas um sinal gráfico convencional?” é tema deste mês de “O Museu vai à tua Escola”. Ontem, a sessão educativa esteve na Escola Básica do Desterro.Sentados em redor de uma manta, tal como era hábito entre os pescadores poveiros quando o momento era de conversa e confraternização entre a família, os alunos participantes, do 3º ano, aprenderam sobre o que é uma sigla. Através da exibição de peças com siglas pertencentes ao espólio Museu, como a bacia, o garfo ou as “socas”, foi-lhes explicado que a sigla não é um objecto mas sim um sinal, uma marca de família com regras próprias quanto à sua utilização e transmissão entre pais e filhos. Através de uma história e ainda de um jogo didáctico os alunos puderam aprender um pouco mais sobre as marcas poveiras, novos conhecimentos que puseram em prática quando chegou o momento de eles próprios, usando objectos a seu gosto, criarem as suas próprias siglas.


A escolha deste tema tem a ver com o facto de a 8 de Janeiro se assinalar o Dia Internacional da Alfabetização. O Museu Municipal tem já marcada nova sessão sobre as Siglas Poveiras para 10 de Fevereiro na EB1 de Cadilhe, Amorim. Ao longo de todo o ano lectivo, “O Museu vai à tua Escola” propõe novos temas que exploram várias vertentes da história, património, costumes e tradições locais. A actividade é destinada a alunos do 1º e 2º ciclos do Ensino Básico, sendo que as sessões decorrem às terças de manhã e às quintas de tarde, mediante marcação prévia, junto do Museu Municipal ou através do telefone 252 090 002. De acordo com a disponibilidade do Museu, podem ser marcadas sessões em outros horários.
Para o mês de Fevereiro, e como a 14 se assinala o Dia dos Namorados, o tema é “Namorar ao postigo”. O livro O Poveiro, de Santos Graça, os trajes poveiros e miniaturas do espólio do Museu Municipal ilustrarão a explicação aos alunos sobre as diferenças entre o namoro e casamento tal como se conhecem hoje e no tempo de Santos Graça, na comunidade piscatória da Póvoa de Varzim. O jardim-de-infância de Santo António, a 18 de Fevereiro, a Escola dos Sininhos, a 22, A Beneficente e o MAPADI, a 23, têm já sessões marcadas sobre esta temática.
Em Março são dois os temas: “A Póvoa e a sua cultura – terra de pescadores: seu modo de vida; heróis poveiros; a lancha…” e “A mulher: papel na comunidade piscatória poveira”. Isto porque se assinala o Dia Internacional da Mulher, no dia 8, e o Dia Mundial do Mar, a 17. Em Abril a personagem central da actividade é Rates, com o tema “A Igreja de S. Pedro de Rates – Lenda de S. Pedro de Rates e História da Igreja Românica”, que se relaciona com a comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e dos Sítios, a 18 de Abril.
“Castrejos e Romanos na Cividade de Terroso – como se organizavam as unidades familiares” é o tema de Maio, já que o Dia Internacional das Famílias se celebra a 15. Em Junho é o Dia Mundial da Criança que o Museu Municipal destaca ao escolher o tema “Ser criança em 1937 dentro da comunidade piscatória”. Isto porque foi em 1937 que foi fundado o Museu Municipal.
E como no final de cada sessão os alunos são convidados a fazer desenhos alusivos aos temas, o Museu Municipal vai expor, trimestralmente, os resultados deste trabalho sendo que o melhor desenho de cada ano lectivo será premiado com uma oferta pelo Museu Municipal.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Roda dos Expostos motivo para conversa no Arquivo Municipal


Infopóvoa / Póvoa de Varzim
A iniciativa À Quarta (h)à Conversa decorre todos os meses, sempre com temas diferentes e partindo de documentos do Arquivo Municipal. O tema abordado ontem, em mais uma sessão com os utentes da Santa Cada da Misericórdia, foi a Roda dos Expostos.
Criada em França em 1188 pelo Papa Inocêncio III, a Roda dos Expostos era parecida com as portas giratórias actuais. Normalmente instalados nas portas das igrejas e conventos, cilindros de madeira giratórios serviam para que mães deixassem seus filhos em mãos seguras, sem serem identificadas, mantendo o anonimato exigido por uma era marcada pelo preconceito e discriminação. E uma forma de combater o alto índice de recém-nascidos que eram encontrados mortos.
Em Portugal, foi a 10 de Maio de 1783 que o célebre Intendente da Policia, Pina Manique, mandou criar as Rodas para com elas poder obviar à morte de muitos enjeitados abandonados às portas de quem, muitas vezes, os não podia criar ou não queria tomar sobre si tão pesado encargo.
Foi extinta a Roda da Póvoa de Varzim, em Junho de 1850. Passam, então, essas crianças enjeitadas a ser encaminhadas para os hospícios de expostos.
Um triste destino que, infelizmente, era muito frequente acontecer com esses bebés e crianças enjeitados, numa época difícil, em que a luta pela sobrevivência era uma constante.
A próxima conversa, no dia 17 de Fevereiro, abordará o tema A Prostituição na Póvoa de Varzim: de finais do séc. XIX à 1ª metade do séc. XX.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A roda dos expostos na próxima “À quarta (h)à conversa”


Infopóvoa / Póvoa de Varzim
Hoje, 20 de Janeiro, às 15h00, terá lugar mais uma edição de “À quarta (h)à conversa”. O Arquivo Municipal promove desde Outubro esta iniciativa que apresenta ao público sénior, todos os meses, diferentes temas ligados à história local. O tema deste mês é A Roda dos Expostos na Póvoa de Varzim.
Segundo o Arquivo Municipal, “a Roda dos Expostos ou enjeitados foi criada em França em 1188 pelo Papa Inocêncio III e era parecida com as portas giratórias actuais. Normalmente instalados nas portas das igrejas e conventos, cilindros de madeira giratórios serviam para que mães deixassem seus filhos em mãos seguras, sem serem identificadas, mantendo o anonimato exigido por uma era marcada pelo preconceito e discriminação. E uma forma de combater o alto índice de recém-nascidos que eram encontrados mortos. Em Portugal, foi a 10 de Maio de 1783 que o célebre Intendente da Policia, Pina Manique, mandou criar as Rodas para com elas poder obviar à morte de muitos enjeitados abandonados às portas de quem, muitas vezes, os não podia criar ou não queria tomar sobre si tão pesado encargo.”
A próxima conversa já está também marcada. Vai acontecer no dia 17 de Fevereiro e terá como tema a prostituição na Póvoa de Varzim no final do século XIX e na primeira metade do século XX.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Viriato Barbosa Lembrado no Diana Bar

Infopóvoa / Póvoa de Varzim
Após ter estado em exposição na Biblioteca Municipal até ao final do ano, a mostra documental “Lembrando Viriato Barbosa” pode ser visitada no Diana Bar. Até 31 de Janeiro, o Pelouro da Cultura continua a prestar homenagem ao investigador poveiro através da exibição de diversos manuscritos, fotografias, artigos de jornais e revistas.
Nascido em Julho de 1892 e falecido a Novembro de 1979, Viriato Barbosa dedicou grande parte dos seus trabalhos à Póvoa de Varzim, com destaque para as obras A Póvoa de Varzim: ensaio da história desta vila e Póvoa do Mar.
Desde novo, Viriato Barbosa começou a interessar-se pelos assuntos da sua Póvoa. Colaborou no “Anuário Varzino” de João Agostinho Landolt (1913) e na revista quinzenal “A Póvoa de Varzim” (1911 a 1917), tendo publicado no seu nº 8 do 4º. ano (primeira quinzena de Fevereiro de 1915) um artigo intitulado «Orfeon Povoense – Um sonho», no qual vislumbrava a formação de um orfeon na Póvoa de Varzim. Apoiada a sugestão, constitui-se o Orfeon Povoense, mais tarde Orfeão Poveiro, que deu o seu primeiro espectáculo na noite de 25 de Abril de 1915, sob a regência de Josué Trocado.
Viriato Barbosa colaborou também nos jornais poveiros “O Comércio da Póvoa de Varzim”, “Ideia Nova”, “Ala Arriba” e no Boletim Cultural “Póvoa de Varzim” e ainda no “Magazine Bertrand”, “Voz do Ribatejo” e “O Filatelista”, usando por vezes pseudónimos literários. A revista poveira mensal “Ilustração Nacional”, de que saíram apenas cinco números (Julho a Outubro de 1919) contou também com a colaboração de Viriato Barbosa no que concerne à composição e aspecto gráfico.
Filatelista e bibliófilo, possuidor de uma vasta biblioteca, publicou: A Póvoa de Varzim – (ensaio da história desta vila), Porto, 1937, (edição reproduzida em 1941); A Póvoa de Varzim – (ensaio da história desta vila), 2ª edição melhorada, Porto, 1972; Póvoa do mar, Póvoa de Varzim, 1967; Póvoa do mar, 2ª edição, Porto, 1969; Senhora da Assunção, poesias, Póvoa de Varzim, 1970.
Da sua colaboração no Boletim Cultural, são de destacar, entre outros, “Eça de Queirós, poveiro”, no volume V, nº 1, de 1965, e “Bibliografia da Póvoa de Varzim e seu concelho”, no volume X, nº 1, em 1971.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Janeiras em Lisboa e em Aguçadoura


Infopóvoa / Póvoa de Varzim
Depois do Encontro de Janeiras que desfilou pela Póvoa de Varzim no dia 2, são várias as iniciativas que se seguem no âmbito das Janeiras, desde a presença da JuveNorte na Residência Oficial do Primeiro-Ministro, até aos quatro domingos de festa que em Aguçadoura dão pelo nome de “Janeiras Solidárias”.
O Dia de Reis, a 6 de Janeiro, altura que marca o fim do período de Festas iniciado do Natal, é, por excelência, o dia em que se Cantam as Janeiras. Por isso, neste dia, vários grupos de todo o país deslocam-se ao Palácio de S. Bento, a convite do Primeiro-Ministro, para Cantar as Janeiras. Esta iniciativa, que tem já vários anos, contará, este ano, com a participação do Centro de Desporto e Cultura JuveNorte, que irá actuar, com o seu Grupo das Janeiras, às 16h00. No mesmo dia, vão também participar no programa de televisão “Companhia das Manhãs”, interpretando dois temas do seu cancioneiro, momento que será transmitido às 14h00. O Grupo das Janeiras da JuveNorte é constituído por cerca de 40 elementos com idades entre os 1 e os 68 anos. Os elementos do Grupo trajam a rigor e envergam "Trajes de Trabalho", recriando os usados pelos homens e mulheres da comunidade piscatória poveira.
Em Aguçadoura, e nos domingos entre 10 e 31 de Janeiro, as “Janeiras Solidárias” propõem a angariação de fundos para o Centro Social e Paroquial de Aguçadoura. Esta iniciativa decorrerá a partir das 14h30 no pavilhão do Centro Cultural e Desportivo de Aguçadoura, organizada pela Junta de Freguesia e pelo Centro Social e Paroquial, com o apoio da autarquia. Assim, estes quatro domingos ficarão marcados com tardes de animação onde não falta o Cantar as Janeiras. No dia 10, o programa incluiu a abertura pela Fanfarra do Agrupamento de Escuteiros de Aguçadoura, uma sessão de karaoke e ainda uma exibição de karaté. No dia 17 a “Tarde Popular” propõe a actuação do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Aguçadoura e de um Grupo de Concertinas. As melodias das Tunas Académicas, na tarde do dia 24, e a música ligeira, no último domingo, 31, fecham o programa.
O
Centro Social e Paroquial de Aguçadoura foi inaugurado a 26 de Julho de 2009 e entrou em funcionamento em Setembro desse mesmo ano. Creche, jardim-de-infância e pré-escola são as valências que estão em funcionamento, sendo que o equipamento prevê ainda a instalação de um Lar de Idosos e Centro de Dia, para além do Serviço de Apoio Domiciliário. Valências que não estão ainda em funcionamento devido à falta de verbas.

Encontro de Janeiras animou cidade na tarde de sábado

Infopóvoa / Póvoa de Varzim
11 associações poveiras percorreram a cidade no sábado, dia 2, no âmbito do Encontro de Janeiras promovido, anualmente, pelo Pelouro do Desenvolvimento Socioeconómico.
Com o objectivo de manter viva uma tradição rica em costumes, os participantes mantiveram-se fiéis aos trajes usados nas Janeiras: as mulheres com o lenço ou o longo xaile preto à cabeça e as grandes saias rodadas, os homens com as grossas camisas ou camisolas poveiras, com a boina na cabeça. Nos pés, muitos fizeram questão de trazer as típicas socas de madeira. Trajes que reproduzem, na sua essência, as vestimentas que eram usadas no do dia-a-dia pela comunidade piscatória poveira.
A concertina, o tambor, os ferrinhos ou o reco-reco acompanharam as vozes que desejavam um Bom Ano Novo num cortejo que terminou na Praça do Almada. Ali, os vários grupos, e à medida que iam chegando, fizeram do Coreto um palco onde apresentaram, novamente, algumas cantigas de Janeiras. Este desfile prolongou-se ao longo de toda a tarde e culminou com uma actuação conjunta onde interpretaram “O Natal dos Simples”, de Zeca Afonso.

Participaram o Rancho de Belém, o Rancho Folclórico de Aver-o-Mar, o Rancho Folclórico de Amorim, a Associação Cultural e Desportiva da Mariadeira, a Associação Cultural e Recreativa da Matriz, o Grupo Folclórico de Cantares e Danças “Os Camponeses de Navais”, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Aguçadoura, os Leões da Lapa, as Tricanas Poveiras, a JuveNorte e o Grupo Desportivo, Cultural e Recreativo Senhora do Ó. O Encontro de Janeiras é outra iniciativa promovida pela autarquia no âmbito do programa de animação “Feliz Natal Póvoa de Varzim” que, por estes dias, se aproxima do seu final. No portal municipal pode ver as imagens dos vários eventos que compuseram este programa.



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

PÓVOA DE VARZIM

Desvendando os segredos do pescador poveiro – a emigração para o Brasil em 1896
Infopóvoa / Póvoa de Varzim
Lado a lado com o mar, o Diana Bar recebeu, no passado dia 12, o lançamento de Comunidade Piscatória Poveira, um livro editado pela Câmara Municipal que reúne o trabalho de investigação de Nuno Freitas , elaborado com a colaboração de Patrícia Meleiro, desenvolvido no âmbito do trabalho final da Licenciatura de História, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 2005.
Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Cultura, explicou que o livro versa sobre o fluxo emigratório da comunidade poveira em 1896 para o Brasil. “Em 1892 deu-se uma grande tragédia no mar, em que morreram 105 pescadores. Tal levou a que a vida se dificultasse para a comunidade, a que se juntava a falta de segurança no Porto de Pesca da Póvoa de Varzim. Para além disso, os pescadores tinham barcos muito frágeis e sofriam com a concorrência dos barcos mais modernos, a vapor”.
Tendo em conta que este foi o segundo de três livros lançados na Póvoa de Varzim em dois dias (sexta-feira e sábado ), o Vereador considerou que “nunca se editou tanto, nunca se escreveu tanto e nunca se leu tanto”. Foi por isso com grande satisfação que participou no lançamento de Comunidade Piscatória Poveira, “um livro que tem a ver connosco, com a nossa comunidade, sobretudo sobre aquilo que é o nosso poveirismo – a nossa comunidade piscatória”. E apesar de Nuno Freitas ter estudado apenas o ano 1896, Luís Diamantino defendeu que este é “um ponto de partida para aquilo que ainda podemos fazer”.
O autor, madeirense, não pode estar presente no lançamento do livro, mas chegou ao Diana Bar através das novas tecnologias. Assim, e via DVD, explicou que a investigação retratou a comunidade em finais do século XIX. “O início do século foi próspero, tendo o fim do século ficado marcado pela pobreza”, facto que levou a um grande fluxo emigratório, empolgando, também, pela associação ao “mito do enriquecimento fácil” no Brasil.
Entre as conclusões da investigação, apoiada por documentos guardados no Arquivo Municipal e na Biblioteca Municipal e ainda pelos periódicos da época, Nuno Freitas concluiu que emigravam maioritariamente homens adultos, com idades entre os 30 e os 44 anos, sendo que a emigração masculina era superior à feminina. O autor aponta ainda as várias causas que levaram à emigração, a profissão de quem emigrava, o destino, de que rua eram originários, entre outros tantos elementos.


Inês Amorim, professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e ela própria uma apaixonada pelas pesquisas na área de História das Pescas, acompanhou todo este trabalho de investigação. Por isso, na sessão, apresentou alguns factos sobre o pescador poveiro, caracterizado pela sua “habilidade”, “pelo conhecimento que tinha do mar e pela sua capacidade de adaptação aos diferentes mares”. Assim, o pescador poveiro tinha uma “polivalência de facetas” que o distinguia dos demais. “Ao longo do ano é sempre pescador, quando emigra, emigra para pescar. E por isso tem um perfil diferente”.
Comunidade Piscatória Poveira provou também que, na sua emigração para o Brasil , o pescador poveiro escolhia como destino o Rio de Janeiro. Mas tal como sublinhou Inês Amorim, “o Rio de Janeiro é um destino primeiro, um plataforma que depois pode levar a outras localizações”.
Mas acima de tudo, a professora considera que este trabalho “dá voz aos pescadores, eles não sabiam ler ou escrever. Eram os outros que falavam por eles”. Trata-se, assim, de preservar uma cultura que ainda tem muito para dar a conhecer, como evidenciou Inês Amorim. “Nem o Nuno nem a Patrícia são da Póvoa, tiveram de entrar na comunidade. Isso significa que a comunidade teve algo para lhes dizer”, sublinhando ainda que esta é “uma comunidade que está em extinção, é pequena mas muito activa. Há aqui uma cultura que tem que se salvaguardar”.
E dando mostras da preocupação da autarquia poveira pela preservação do seu património, Luís Diamantino avançou que Luís Martins , antropólogo e autor de Mares Poveiros, tem vindo a desenvolver um trabalho de recolha junto da comunidade, em filme, “uma comunidade com tradições e memórias que mais nenhuma tem”. Para além disso, a própria Câmara Municipal tem apoiado o trabalho de inúmeras pessoas que se dedicam a estudar a comunidade piscatória, tendo mesmo, em dois ou três anos, lançado mais de dez livros, em edições municipais, relativos à pesca, de vários autores diferentes. Conheça os títulos, disponíveis na Biblioteca, no Diana Bar, no Museu e em outros serviços municipais, no site da
Biblioteca Municipal.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

PÓVOA DE VARZIM

Lançamento da obra Comunidade Piscatória Poveira

Infopóvoa / Póvoa de Varzim
A obra Comunidade Piscatória Poveira será lançada no próximo sábado, 12 de Dezembro, pelas 17h00, na Biblioteca Municipal. O trabalho, da autoria de Nuno Freitas com a colaboração de Patrícia Meleiro, pretende retratar a emigração da comunidade piscatória poveira no ano de 1896. Em 1892 deu-se a crise financeira do Estado que acarretou um abalo em toda a economia do país. Para a Póvoa, foi um golpe tremendo, agravado ainda pelo naufrágio de 27 de Fevereiro de 1892, no qual pereceram 105 pescadores. Embora há muito houvesse emigração para o Brasil, mais episódica, os primeiros grupos de pescadores que tentaram a pesca na grande baía de Guanabara formaram, no Rio de Janeiro, o mais forte e mais próspero núcleo de poveiros em terras do Brasil.
O autor deste livro faz uma reflexão científica acerca da emigração dos pescadores da Póvoa de Varzim para o Brasil. As suas misérias, o abandono por parte da classe política e as agruras no mar são os principais temas abordados pelo autor.
Um lançamento a não perder, no próximo sábado.

sábado, 28 de novembro de 2009

Contar histórias, fazer justiça – Luandino Vieira apresentou livro na Póvoa de Varzim

Da esquerda para a direita: Zeferino Coelho, Luandino Vieira e Luís Diamantino

Infopóvoa / Póvoa de Varzim
“Escrevo muito lentamente, não escrevo por ofício, mas também não tenho dores de criação. Quando vejo que não dá, não dá e faço outra coisa qualquer. Se estiver sol, é para mim um bom motivo para ir passear para a rua. Se não estiver sol, é bom motivo para ficar em casa e ler o que os outros escrevem”.
E assim José Luandino Vieira resumiu a forma como encara a escrita, ontem, no Diana Bar, na apresentação da sua mais recente obra O Livro dos Guerrilheiros. “Em vós vejo os pouco mas fiéis leitores que tenho em Portugal”, disse, dirigindo-se à assistência. “Fiquei longos anos em silêncio, desmerecendo os leitores que tenho. Agradeço a todos os que ao longo destes anos se mantiveram com paciência e coragem para ler o pouco que fui escrevendo este tempo todo”.
Silêncio que foi quebrado na Póvoa de Varzim. “Andei décadas a esquivar-me desse momento e foi aqui, no Correntes d’Escritas, que voltei às publicações do que já tinha feito e encarei de uma forma mais séria o meu dever”, explicou. E agora surge O Livro dos Guerrilheiros, segunda obra de uma trilogia, De Rios Velhos e Guerrilheiros, iniciada com O Livro dos Rios.
“Parte mal disfarçada de um romance que tive preguiça de terminar”, O Livro dos Guerrilheiros é um conjunto de narrativas acerca de sete guerrilheiros que compõem uma coluna, em plena guerra pela independência de Angola. “Escrevi este livro para fazer justiça aos guerrilheiros angolanos, não aos heróis. É para fazer justiça aos jovens, às mulheres, às crianças, que foram apanhados no vórtice da guerra e deram tudo o que tinham, inclusive a vida”, defendeu. “Não é que eles tivessem sido esquecidos, até porque não fizeram o que fizeram para serem lembrados. São os valores que estão esquecidos”, explicou o autor para quem é impossível escrever “sem que me doa. Quando me começa a doer, começo a escrever”.
Inspirando-se em Almeida Garrett , para descrever a riqueza das paisagens africanas, Luandino Vieira foi também buscar ensinamentos a Fernão Lopes – “ensinou-me como contar a história através de pequenas histórias. E como se contam histórias? É ir entortando a história de maneira a que, não deixando de ser história, passe a ser histórias”.

Agora, Luandino Vieira prepara-se para fazer justiça à mulher angolana, nunca retratada na literatura, no terceiro livro da trilogia que, avançou, se irá chamar Ela e os Velhos.
Ao lado de Luandino Vieira, Zeferino Coelho, da editora Caminho, explicou que a sua relação com o escritor teve, na Póvoa de Varzim, “um nó decisivo” porque foi durante o Correntes d’Escritas que o editor “namorou” o escritor para que publicasse pela Caminho. Até que, numa edição do Encontro de Escritores de Expressão Ibércia, Luandino Vieira entregou um conjunto de papéis a Zeferino Coelho para que lesse. “Era Nosso Musseque”, desvendou o editor e, numa altura em que até a literatura começa a ser instantânea, “este homem tem este livro extraordinário, assim”.
Esta relação com o Correntes d’Escritas não foi esquecida por Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Cultura. “É um prazer estar com um escritor que também aqui está como um amigo da Póvoa”, avançou, partilhando com a assistência as sensações que o invadiram com a leitura de O Livro dos Guerrilheiros. “Provocou-me uma sensação contínua de dor. Recebi alguns murros a ler, e quando me levantava, parecia que caía outra vez. Foi um diálogo difícil com a narrativa, mas é uma narrativa muito forte”, descreveu.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

“Lembrando Viriato Barbosa” na Biblioteca Municipal

Infopóvoa / Póvoa de Varzim
Até 12 de Dezembro a Câmara Municipal presta homenagem a Viriato Barbosa, investigador poveiro de referência, quando passam 30 anos sobre a sua morte, com a exibição de uma mostra documental patente na Biblioteca Municipal. “Lembrando Viriato Barbosa” exibe diversos documentos manuscritos, a bibliografia, fotografias e diversos artigos de jornais e revistas.
Nascido em Julho de 1892 e falecido a Novembro de 1979, Viriato Barbosa dedicou grande parte dos seus trabalhos à Póvoa de Varzim, com destaque para as obras A Póvoa de Varzim: ensaio da história desta vila e Póvoa do Mar.
Desde novo, Viriato Barbosa começou a interessar-se pelos assuntos da sua Póvoa. Colaborou no “Anuário Varzino” de João Agostinho Landolt (1913) e na revista quinzenal “A Póvoa de Varzim” ( 1911 a 1917), tendo publicado no seu nº 8 do 4º. ano (primeira quinzena de Fevereiro de 1915) um artigo intitulado «Orfeon Povoense – Um sonho», no qual vislumbrava a formação de um orfeon na Póvoa de Varzim. Apoiada a sugestão, constitui-se o Orfeon Povoense, mais tarde Orfeão Poveiro, que deu o seu primeiro espectáculo na noite de 25 de Abril de 1915, sob a regência de Josué Trocado.
Viriato Barbosa colaborou também nos jornais poveiros “O Comércio da Póvoa de Varzim”, “Ideia Nova”, “Ala Arriba” e no Boletim Cultural “Póvoa de Varzim” e ainda no “Magazine Bertrand”, “Voz do Ribatejo” e “O Filatelista”, usando por vezes pseudónimos literários. A revista poveira mensal “Ilustração Nacional”, de que saíram apenas cinco números (Julho a Outubro de 1919) contou também com a colaboração de Viriato Barbosa no que concerne à composição e aspecto gráfico.
Filatelista e bibliófilo, possuidor de uma vasta biblioteca, publicou: A Póvoa de Varzim – (ensaio da história desta vila), Porto, 1937, (edição reproduzida em 1941) ; A Póvoa de Varzim – (ensaio da história desta vila), 2ª edição melhorada, Porto, 1972 ; Póvoa do mar, Póvoa de Varzim, 1967 ; Póvoa do mar, 2ª edição, Porto, 1969 ; Senhora da Assunção, poesias, Póvoa de Varzim, 1970.
Da sua colaboração no Boletim Cultural, são de destacar, entre outros, “Eça de Queirós, poveiro”, no volume V, nº 1, de 1965, e “Bibliografia da Póvoa de Varzim e seu concelho”, no volume X, nº 1, em 1971.


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Novos Contos Poveiros – apresentação do livro, dia 11, no Diana Bar


Infopóvoa / Póvoa de Varzim
A 11 de Julho, Luís Costa estará na Póvoa de Varzim para o lançamento da sua mais recente obra Novos Contos Poveiros, uma edição que surge na linha de Contos Poveiros, publicados em 2006. O livro será apresentado por Fernando Pinheiro, às 17h30, no Diana Bar.
Marcado na sua infância e juventude pela mítica e antiquíssima Póvoa de Varzim, Luís Costa levou para Braga, onde se radicou durante a época de quarenta, muita da memória colectiva poveira, que agora molda em formato literário, contribuindo desta forma para a afirmação da identidade sui generis da grande praia e do grande porto piscatório do Norte de Portugal.
No seguimento dos anteriores, os Novos Contos Poveiros assumem um valor sociológico e antropológico particular, tendo em conta a evocação de episódios, figuras, lugares, práticas, usos e costumes que o tempo transformou em lendas, em mitos e em património imaterial que a autarquia poveira tem vindo a salvaguardar de modo exemplar.
Luís Costa é natural de Coimbra, onde nasceu em 24 de Agosto de 1921. Com cinco anos veio para a Póvoa , onde viveu até à entrada na vida militar, em 1942. No período da Segunda Guerra Mundial prestou serviço militar como sargento miliciano, no Porto, e depois como expedicionário em Cabo Verde. Concluído o serviço militar, em 1946, tentou o regresso à Póvoa mas, como ele próprio explica, a dificuldade em arranjar trabalho fez com que aceitasse uma proposta de um familiar e se mudasse para Braga, onde viria a casar e a viver até hoje. Começou então a colaborar com jornais como o “Correio do Minho”, “Diário do Minho”, Comércio da Póvoa”, “O Cavado” e com as rádios Renascença e Antena Minho. Escreveu centenas de artigos sobre Braga, apresentou comunicações em colóquios sobre várias tradições etnográficas da Póvoa e Esposende e assinou artigos no Boletim Cultural da Póvoa de Varzim.
Publicou vários livros na área da História, como S. Vítor, alguns elementos para a História desta Igreja (1979), Braga Ontem (1981), História da Igreja e Irmandade de Sta. Cruz (1983) ou Braga, solenidades da Semana Santa (2002), duas monografias sobre freguesias do concelho de Braga e, no campo da ficção, Contos Poveiros e outros artigos, e Novos Contos Poveiros que agora se publica.